quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014














Palavras

Saudade, Amor, Felicidade...
Alegria, Paz, Solidão...
Palavras... Palavras apenas
Às vezes vazias, 
Outras vezes tão cheias...
Cheias de sentimentos ocultos,
Cheias de significação
Para quem as conhece
Ou um dia já conheceu...
Ou que um dia as perdeu...
SAUDADE:
Ainda sinto, apesar de não saber
Exatamente de quê - 
Da ALEGRIA
Que poucas vezes tive?
da PAZ
Que raramente sinto?
Da FELICIDADE
Que nem ao menos conheci?
AMOR - 
Elemento estranho,
Distante da minha vida.
E hoje, de tantas palavras
Soltas ao vento da minha inexistência,
Apenas uma me resta,
Me acompanha,
Nunca me deixa...
SOLIDÃO...












Desencontros

Amor - sentimento paradoxo...
Edificante, se correspondido.
Destruidor, se ignorado.
Fogo que consome... Mata
Lentamente...
Dor, tortura,
Doença sem cura.
Peste que assola causando mortandade
De sonhos,
Da alma,
Do próprio Sentimento.
Anjo de luz - 
Manso e cativante,
Porém ardiloso e cruel.
Tira-nos o sono,
Tira-nos a alegria,
Tira-nos a vida.
Amor...
Tormento dos tormentos:
Sempre amo alguém
Que nem gosta de mim...
Sempre choro por alguém
Que também sofre por outrém.
Mas, nesses desencontros
Talvez
Em uma esquina da vida
Quem sabe, nos encontremos
E nos amemos...
Não somente eu a você,
Mas também você a mim.
E, quem sabe então,
Não seremos apenas você e eu,
Mas nós.
E talvez o amor
Se descomplique,
Simplifique
E fique.
E, quem sabe, finalmente,
Seremos felizes realmente
Até que o coração pare de bater!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013














MOMENTOS
Nossa vida é composta por momentos. Claro, isso todo mundo sabe, chega a soar algo clichê iniciar uma postagem assim. No entanto, como a última moda é ignorar tudo o que parece clichê, acabamos perdendo a noção da importância de certas verdades aparentemente banais, inclusive esta - a de que nossa vida é composta por momentos. Por exemplo, o momento em que você digita meia dúzia de palavras, talvez as mais importantes de toda a sua vida, porém hesita um instante e ao invés de clicar "enviar", você prefere "deletar". Ou o oposto, quando você, sem pensar, envia e depois se arrepende amargamente pelo resto da vida. 
Há também o momento em que as palavras estão "amarradas" na garganta, urrando desesperadas para sair, mas você as tranca, e elas escorrem pelos olhos em forma de lágrimas. Ou se disfarçam às vezes de sorriso, às vezes de desprezo...
Mas também existem momentos que não estão diretamente envolvidos com palavras. Digo diretamente porque mesmo não ditas ou escritas, as palavras estão envolvidas. O momento da troca de olhares. Quantas palavras em tão poucos segundos quando dois olhares se cruzam... Certos momentos desse tipo talvez nunca possam ser traduzidos em palavras, todas as existentes talvez fossem poucas.
E assim a vida segue, momento a momento, às vezes com uma fluidez tranquila e serena, às vezes meio truncada e aos solavancos. Mas enquanto houverem momentos, sejam eles quais forem, saberemos que há vida. E esse é o momento mais precioso...











"Não vou mais falar de amor
De dor, de coração, de ilusão
Não vou mais falar de sol
Do mar, da rua, da lua ou da solidão
Meu vício agora é a madrugada
Um anjo, um tigre , um gavião
Que desenho acordada
Contra o fundo azul da televisão
Meu vício agora...
É o passar do tempo
Meu vício agora...
Movimento, é o vento, é voar...é voar
Não vou mais verter
Lágrimas baratas sem nenhum porque
Não vou mais vender
Melôs manjadas de Karaokê
E mesmo assim fico interessante
Não ser o avesso do que eu era antes
De agora em diante ficarei assim...
Desedificante
Meu vício agora...
É o passar do tempo
Meu vício agora...
Movimento, é o vento, é voar... é voar"
(Kid Abelha)

sábado, 2 de fevereiro de 2013

História de Amor




















"Vieste...
E me falaste de alguém infiel que traíra tua vida,
E a quem deras, no entanto, teu amor...
Vieste, e me falaste a linguagem de fel, da tua alma ferida,
E em teus olhos havia, atormentada e presa, uma imensa tristeza, um profundo amargor...
Quem te viu como eu vi, - a falar a linguagem da suprema amargura,
Da incurável desilusão,
Como quem abatido chega ao fim da viagem
E encontra um velho sonho de ventura em pedaços no chão...
Quem te viu como eu te vi - beirando o precipício e quase em desatino,
Sem saber procurar sequer um novo início para o teu destino...
Vieste... E eu dei-te o abrigo dos meus braços,
Comovi-me e senti meus olhos baços diante da tua dor...
E sem que eu própria saiba como consegui,
Aos poucos, muito aos poucos, dia a dia, eu vi que vencias o infiel, o amargurado amor...
Uma tarde, em que te vi chegar, rindo e chorando,
Numa emotividade que punha em teu olhar imprevisto esplendor
Pensei que nessa tarde enfim eu te pudesse desvendar meu segredo de felicidade
E pedir o teu carinho para o meu amor...
Chegaste... me estendeste a mão e me disseste,
Entre terno e comovido:
"Ah, minha amiga! Nem tu compreenderás todo o bem que me fizeste, agora que afinal posso seguir de novo, radiante, sem perigo...
E entre terno e comovido, silenciaste
E me entregaste a mão...
Era a despedida...
Pior que a despedida: - era a separação...
Num derradeiro gesto impensado, numa alegria louca,
No instante de partir:
Beijaste-me na boca
E te foste a sorrir...
Para quê?
Para que beijaste-me na boca?
Hoje a minha alma sofre
E o meu desejo goza
A angústia dessa lembrança...
Ah, meu amor... O quanto foste louco...
E impiedoso...
E quanto foste criança!"
Poema de J.G. de Araujo Jorge, extraído do livro
"Meu Céu Interior", 1ª edição, 1934

sexta-feira, 30 de setembro de 2011















Quando se fala de amor, muitos usam palavras bélicas, como luta, batalha, conflito. Amar pode ser uma guerrilha diária mesmo.

Isso me faz lembrar os desfiles de veteranos de guerra que a gente vê em filmes, homens uniformizados em suas cadeiras de roda apresentando suas medalhas e também suas amputações. Se o amor e a guerra se assemelham, poderíamos imaginar também um desfile de mulheres sobreviventes desse embate no qual poucos conseguem sair ilesos. Não se perde uma perna ou braço, mas muitos perdem o juízo e alguns até a fé.

Depois de uma certa idade, somos todos veteranos de alguma relação amorosa que deixou cicatrizes. Todos. Há inclusive os que trazem marcas imperceptíveis a olho nu, pois não são sobreviventes do que lhes aconteceu, e sim do que não lhes aconteceu: sobreviveram à irrealização de seus sonhos, que é algo que machuca muito mais. São os veteranos da solidão.

Há aqueles que viveram um amor de juventude que terminou cedo demais, seja por pressa, inexperiência ou imaturidade. Casam-se, depois, com outra pessoa, constituem família e são felizes, mas dói uma ausência do passado, aquela pequena batalha perdida.

Há os que amaram uma vez em silêncio, sem se declararem, e trazem dentro do peito essa granada que não foi detonada. Há os que se declararam e foram rejeitados, e a granada estraçalhou tudo por dentro, mesmo que ninguém tenha notado. E há os que viveram amores ardentes, explosivos, computando vitórias e derrotas diárias: saem com talhos na alma, porém mais fortes do que antes.

Há os que preferem não se arriscar: mantém-se na mesma trincheira sem se mover, escondidos da guerra, mas ela os alcança, sorrateira, e lhes apresenta um espelho para que vejam suas rugas e seu olhar opaco, as marcas precoces que surgem nos que, por medo de se ferir, optaram por não viver.

Há os que têm a sorte de um amor tranquilo: foram convocados para serem os enfermeiros do acampamento, os motoristas da tropa, estão ali para servir e não para brigar na linha de frente, e sobrevivem sem nem uma unha quebrada, mas desfilam mesmo assim, vitoriosos, porque foram imprescindíveis ao limpar o sangue dos outros.

Há os que sofrem quando a guerra acaba, pois ao menos tinham um ideal, e agora não sabem o que fazer com um futuro de paz.

Há os que se apaixonam por seus inimigos. A esses, o céu e o inferno estão prometidos.

E há os que não resistem até o final da história: morrem durante a luta e viram memória.

Todos são convocados quando jovens. Mas é no desfile final que se saberá quem conquistou medalhas por bravura e conseguiu, em meio ao caos, às neuras e às mutilações, manter o coração ainda batendo. (Martha Medeiros)

quinta-feira, 23 de junho de 2011
















"Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas do aprisco sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação!" (Habacuque 3:17-18)