quarta-feira, 20 de maio de 2009

Noite...














A noite corre solta lá fora... Estou em um quarto de hotel, TV ligada, porém sem som, apenas para espantar a sensação incômda da solidão. Os canais desfilam diante de meus olhos: filmes, documentários, desenhos, futebol... Tanta gente, tanta vida...
Eu, porém, a cada dia estou um pouco mais morta por dentro. E o mais triste é a certeza de que isso não é apenas uma impressão, é REALIDADE... Afinal, ao envelhecermos, não fazemos nada além do que morrer um pouco, dia a dia, célula a célula...
Minhas mãos sobre o teclado mostram linhas finas, que não existiam anos atrás. Vou ao banheiro e evito olhar o espelho. Veria uma estranha, de olhar encovado, cabelos desgrenhados, muito diferente da mulher jovem e atraente que eu vejo pela manhã.
A noite me transforma... A noite e a solidão. São cúmplices nessa tarefa macabra: tornar-me velha, arrancar de mim a vida...
Volto a desfilar os canais na TV... A noite será longa...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Para meu pai...



Minha relação com meu pai sempre foi algo conturbado. Um relacionamento de extremos. Das lembranças que me restam, as boas são as melhores que um pai poderia deixar. As ruins, são as piores...
O vídeo que estou postando logo após esse texto diz tudo... Dispensa comentários.
Para você, meu pai, que hoje deveria estar comemorando seu 55º aniversário comigo, com minha mãe e meus irmãos, com suas netas...
Mas você escolheu outro caminho...
Apesar de tudo, sinto sua falta...

Take my heart back





Amanhã tudo ficará bem, você disse...Não chore...
Não derrame uma lágrima...
Quando você acordar, ainda estarei aqui...
Quando você acordar, combateremos seus medos...
E agora tomarei meu coração de volta,
Deixarei suas fotos no chão...
Roubo as minhas memórias...
Não posso suportar!
Sequei minhas lágrimas e agora encaro os anos...
Do jeito que você me amou dissipou todas as lágrimas...
Apenas um pouco mais de tempo é o que precisamos,
Apenas um pouco de tempo para que eu veja
A luz que a vida pode dar a você...
Como nós seremos livres!
Então agora tomo de volta meu coração,
Deixo suas fotos no chão...
Roubo o passado da lembrança...
Eu não posso suportar!
Sequei minhas lágrimas e agora encaro os anos.
Do jeito que você me amou dissipou todas as lágrimas...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lembranças





















Estou ouvindo algumas músicas que me trazem lembranças agridoces. Adolescência, juventude, amores vividos, amores perdidos...

Dizem que recordar é viver, eu contudo, morro um pouco a cada recordação... Morro cada vez que relembro meus casamentos fracassados, morro quando lembro a perda de meu primeiro filho...

Renasço, é verdade, quando relembro o momento mágico do sonho da maternidade se tornando real. Renasço quando relembro momentos vividos ao lado de amigas, mas também morro um pouco quando relembro algumas traições...

Enquanto morro e renasço a cada leitura, novas letras jorram de meus dedos, e preciso escrever, escrever, escrever... E amanhã estarei renascendo ou morrendo, quando aqui me sentar outra vez para ler o que acabo de escrever...

Crash! Boom! Bang!





















My Papa told me to stay out of trouble
When you've found your man, make sure he's for real
I've learnt that nothing really lasts for ever
I sleep the scars I wear that won't heal
They won't heal
Cos' every time I seem to fall in love
CRASH! BOOM! BANG!
I find the heart but then I hit the wall
CRASH! BOOM! BANG!
That's the call, that's the game
and the pain stays the same
I'm walking down this empty road to nowhere
I pass by the houses and blocks I once knew
My mama told me not to mess with sarrow
But I always did, and Lord, I still do
I'm still breaking the rule
I kick it up, I kick it down
I still feel the heat
Slowly fallin' (from the sky)
Ans the taste of the kissing
Shattered by rain
(comin' tumblin') from behind
and the wild holy war
I kick it up, I kick it down
Oh yeah oh yeah oh yeah
been the same, been the same
been the same, been the same
It has always been the same...

Pedaços de mim















Hoje alguma coisa dentro de mim está em cacos. Passei o dia todo numa melancolia sem tamanho... E aparentemente não há motivos para isso. Afinal, tudo está do mesmo jeito que sempre esteve. Não melhorou, mas também não piorou...

Acho que é reflexo de algumas coisas que li. Relembrar o passado ao mesmo tempo que é bom, que mostra crescimento, superação, também causa dor. Não aquela lancinante, quase carnal. É uma dor mais espiritual, dor na alma...

Dói relembrar meu casamento aos 16 anos... Quantos sonhos, quanta esperança... Castelos de areia, construídos à beira de uma praia que cedo demais se mostrou revoltosa, farta de ondas que com estrondo acabaram por derrubar cada um dos castelos que tentei construir... Nem uma área de minha vida foi poupada, nem mesmo a maternidade. Se hoje tenho filhas lindas, saudáveis, não foi sempre assim. Já sofri a dor da perda de um filho. Meu primeiro filho se foi antes mesmo de nascer. Superei, é verdade, mas não esqueci. Não há um dia sequer que eu não me lembre.

Depois, o casamento desfeito, não sem antes me causar estragos quase irreversíveis à auto-estima. A segunda tentativa frustrada, todo o sofrimento novamente, sonhos destruídos, recomeçar do nada...

E hoje, o que mais sou eu além de um "nada"? Vivo uma vida meio vazia, me arrasto ao longo dos dias, perguntando para todos e para ninguém: O que é de mim? O que faço aqui? Qual o sentido de tudo isso? Viver, sofrer, cansar, chorar... Até quando?

Há esperança, sim, eu sei... Mas em alguns dias, como hoje, não tenho forças nem para ter esperança. Me sinto muito cansada, muito velha, muito nada...

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Amor de mãe...




















"A infância, mais do que preparadora para a vida, é a vida em sua essência, e os anos de maturidade se passam no soprar de suas brasas, até que sejam apenas cinzas..." (Piers Paul Read)

Meu bebê foi picado por uma aranha. A mais nova de meus bebês. Ela tem quase 13 anos, mas ainda é meu bebê. Eu tenho 4 bebês, duas delas saíram de meu útero, duas de meu coração. Três têm 15 anos, mas todas são meus bebês. Sempre serão.
Não consigo compreender como algumas mulheres conseguem não preocupar-se com seus filhos. Deitar-se à noite para dormir, longe da melhor parte de si mesmas, sabendo que o quarto ao lado está vazio e não sentir apreensão, tristeza, vazio.
Minha filha mais nova está com o polegar da mão esquerda inchado, foi picada por uma aranha. Levei-a ao médico, mas não fiquei satisfeita com o diagnóstico e com o receituário. Tenho mil coisas para fazer, preciso trabalhar, mas todo o resto perde a importância diante da importância que a vida de minha filha tem para mim.
Passo boa parte de meus dias longe delas. A necessidade me força a isso. Preciso trabalhar. Mas a preocupação, ao invés de diminuir com o passar do tempo, só faz aumentar. Estão moças, mas ainda são meus bebês.
Gosto muito de uma mensagem que recebi certo dia de uma amiga. Vou postá-la aqui, é uma meditação linda...

Nossos filhos crescem -

Um dia você gritará:
"Por que vocês não crescem e param de agir como crianças?"
E isso acontecerá...
Ou talvez você diga:
"Vão lá para fora e arranjem alguma coisa para fazer! E não batam a porta!"
E eles não baterão...
Arrumará o quarto do seu filho com capricho. Jogará fora os adesivos, esticará os lençóis, pendurará as roupas nos cabides, organizará as prateleiras e todos os brinquedos. Em seguida dirá:
"Agora quero que este quarto fique arrumadinho assim."
E ele ficará...
Preparará um jantar perfeito, com uma salada onde ninguém beliscou e um bolo sem marcas de dedos na cobertura. E dirá:
"Finalmente consegui preparar uma refeição digna de um rei!".
Mas comerá sozinha...
Dirá:
"Quero poder conversar ao telefone sem interrupções, sem ninguém pulando ao meu redor, sem caretas. Silêncio!!! Vocês estão me ouvindo?"
E isso acontecerá...
Suas toalhas de mesa não mais terão manchas de tomate. Não terá que cobrir o sofá e a poltrona com panos para protegê-los de traseiros molhados e pés sujos. Não encontrará caminhões ou bonecas debaixo do sofá. Não passará mais noites em claro, junto ao nebulizador. Não encontrará farelo de pão nos lençóis, nem o chão do banheiro alagado após o banho.
Acabaram-se os remendos nas pernas das calças, os cadarços molhados e embolados, os elásticos para prender cabelos.
Imagine um batom sem a ponta estragada! Poder sair à noite sem ter que arranjar alguém para ficar com as crianças, lavar roupa somente uma vez por semana, ir ao mercado e comprar somente aquilo que você deseja.
Como será bom não ter que ir à escola para reuniões de pais, não ter que levar e buscar ninguém. Não ganhará mais presentes feitos de papel-cartão e cola. Ninguém mais lhe dará beijos com a boca suja de bala.
Não haverá mais dentes de leite para arrancar, nem risinhos no quarto ao lado. Acabaram-se os joelhos ralados, acabou-se a responsabilidade.
Restará somente uma voz gritando:
"POR QUE VOCÊS NÃO CRESCEM LOGO E PARAM DE AGIR COMO CRIANÇAS?"
E o silêncio responderá:
"Crescemos!"